Δευτέρα, 9 Ιουνίου 2014

PERGUNTEI : HA QUE COMER RESPONDEU-SE HA AZEVIAS ? E TEMI PORQUE NÃO SÃO... A NEGROS MUITO PROPICIAS .... COMTUDO DOZE COMI .. .E DANDO-NAS MUI BEM FRITAS.

  • Mais um, que qual verso culto 
    Dente de coelho tinha, 
    Animalejo tan rico, 
    Que tem em casa uma mina. 
    
    O grão Diogo Ferraz 
    A quem Castella inimiga 
    Mais que bravo no appellido 
    Viu-se costa na valentia. 
    
    Seis queijos para meus queixos 
    Me deu com grão fidalguia, 
    E foram para a memoria 
    Nao achaque, mas mesinha. 
    
    Os doces vos nao descrevo, 
    Pois bem vedes que convinha 
    Levar alforges de doce 
    Um ingenho da Bahia. 
    
    Só caminhei duas léguas, 
    E porque rifões desminta, 
    De vir mal acompanhado 
    O vir tan só me nao livra. 
    
    Na Boca de Sacavém 
    Encontrei linguas malditas. 
    Que mais que a Boca de larga. 
    Tinham elas de compridas. 
    
    Rico fora o meu barqueiro 
    Mais que Cresso, mais que Midas, 
    Se recolhera de juros 
    O que de juras dizia.
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  • Tomei terra, achei pousada; 
    Chamei, respondeu Maria, 
    Poz-se a meza, e sobre a meza 
    Pao de segunda, e de prima. 
    
    Agora, Apouquinho, agora 
    Mandae, meu louro, que assista 
    A poeta comedor 
    Uma Musa comesinha. 
    
    Comi dous Sanctatoninhos 
    Com muyta fome excessiva, 
    E ser então papa Sanctos 
    Não foi certo hipocrisia. 
    
    Despachei o pao primeiro, 
    E o outro, que se seguia. 
    Não estava todo trigo, 
    Vendo fome tão canina. 
    
    Pedi mais peixe, mais peixe, 
    Poz rebondo a mocinha 
    Pescada partida em postas 
    E pela posta comida. 
    
    Cuidareis lendo meus versos, 
    Que jantei com alegria? 
    Ah, que levei muitos tragos 
    Por certas razões que tinha! 
    
    Acabo pois de jantar, 
    Nesta rima, e nesta rima 
    Basta dizer a Deus graças. 
    Sem que aos homens graças diga. 
    
    Cavalguei num macho negro, 
    Que já ser branco podia 
    Posto que está nos seus treze: 
    Bella idade para Nympha ! 
    
    Caminhei de esporas, e botas, 
    E sempre o moço dizia 
    Nas tabernas: Lança, lança, 
    Nas estradas: Pica, pica. 
    
    
     
    
    Também fui só n'esta tarde 
    Sem encontrar alma viva, 
    Marianno do deserto, 
    Nao Padre da Companhia. 
    
    
    
    Perguntei: Ha que comer? 
    Respondeu-se : Ha azevias: 
    E temi, porque nao são 
    A negros muito propicias. 
    
    Comtudo doze comi, 
    E dando-mas mui bem fritas, 
    Me admirei de vir tam quente 
    Peixe, que tam fresco vinha. 
    
    Eram valentes as doze 
    As doze mil maravilhas. 
    Mas eu as deixei tao fracas, 
    Que foram postas na espinha. 
    
    N'uma caixa de perada 
    Bem temperada e bem fma 
    Já tocava a recolher, 
    Porque marchar nao podia: 
    
    Quando vossas saudades, 
    E logo lagrimas minhas 
    Deixaram qual peixe n'agua 
    O peixe que em mim se via. 
    
    Da céa me levantei, 
    E porque o somno caía. 
    Presto caminhei da Cêa, 
    Com ser tam longe, a Caminha. 
    
    Fim da Jornada: Laus Deo, 
    E quem me não der um viva 
    Morra de morte macaca 
    Sem uma vela bugia. 
    
    Jeronymo Bahia. — A Phenix Renascida, Lisboa 1746 

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